Genes podem ser patenteados, decide a Justiça dos EUA

 

 

Em um caso atentamente acompanhado por médicos, advogados e cientistas norte-americanos, um tribunal federal de recursos dos EUA decidiu na sexta-feira (29), por dois votos a um, que genes podem ser patenteados, derrubando uma decisão de instância inferior que havia chocado a indústria de biotecnologia. O caso poderá chegar à Suprema Corte dos EUA.

O Tribunal de Apelações das Varas Federais, quje também julga casos de patentes, decidiu que a empresa Myriad Genetics tinha direito às patentes de dois genes humanos usados para prever se mulheres têm um risco aumentado de desenvolver câncer de mama e de ovário. Pela decisão, o DNA isolado do corpo é passível de patentes porque é “nitidamente diferente” em sua estrutura química do DNA que existe dentro dos cromossomos de um corpo.

Por conseguinte, o DNA isolado não é um simples produto da natureza, que não seria candidato a patente.

A decisão sobre a questão do patenteamento de genes foi também uma rejeição de argumentos feitos pelo governo de Barack Obama, que havia encaminhado um informe argumentando que DNA isolado não deveria ser patenteado. Esse informe foi contra a política desde há muito em vigor do Escritório de Marcas e Patentes dos EUA de conceder essas patentes.

As informações são da edição de ontem do jornal The New York Times e estão sendo repercutidas hoje (1º) pelo jornal O Estado de S. Paulo, em tradução de Celso Paciornik.

A Myriad é focada no desenvolvimento e comercialização de novos produtos de diagnóstico molecular. “Estamos empenhados em melhorar a saúde do paciente por meio da comercialização da medicina preventiva e personalizada, e produtos de prognóstico” – diz o saite da empresa, visitado hoje (1º) cedo pelo Espaço Vital.

O tribunal de recursos, porém, se manifestou contra a Myriad em outra parte do caso. Ele decidiu que os pedidos de patente sobre o processo de analisar se os genes de uma paciente tiveram mutações que elevavam o risco de câncer não era patenteável porque envolvia somente “etapas mentais abstratas não elegíveis a patente”. A decisão sobre a patente de genes e DNA alegrou boa parte da indústria de biotecnologia. Milhares de genes humanos foram patenteados, e alguns executivos de biotecnologia dizem que essas patentes são fundamentais para estimular a inovação.

“A decisão basicamente aderiu à política que o Escritório de Patentes seguiu desde o início dos anos 80, quando a indústria de biotecnologia nasceu” – disse Gerald J. Flattmann Júnior, advogado especializado que representa companhias farmacêuticas. “Patentes de genes isolados são a pedra fundamental da indústria de biotecnologia.”

Os críticos dizem que é antiético patentear algo que é parte do corpo humano ou do mundo natural. Alguns dizem também que o custo do teste poderia ser reduzido se as companhias não detivessem monopólios de testes em razão de patentes. A empresa Myriad, que possui as patentes dos genes chamados BRCA1 e BRCA2 junto com a Fundação de Pesquisa da Universidade de Utah, cobra mais de US$ 3 mil por seu teste de risco de câncer de mama.

Uma ação questionando as patentes sobre genes do risco de câncer de mama foi movida em 2009 pela União Americana pelas Liberdades Civis e a Fundação de Patentes Públicas, atuando como defensoras de vários pacientes de câncer e de sociedades médicas.

Fonte: www.espacovital.com.br

 

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