Algumas dicas para a Igreja católica sair da crise !!!

 
 
 
 
Nestes tempos está se tornando cada vez mais difícil falar sobre a Igreja Católica, apresentar propostas para o relançamento da arquitetura e da arte sacra, conscientizar os fiéis e o clero para a recuperação de uma espiritualidade mais autêntica, que é o espelho da tradição da qual emergiu ao longo dos séculos e não o fruto de especulação intelectual e ideológica, e as razões para isso são múltiplas. Tentarei resumir em três conceitos claros:
 
1. A indiferença da Hierarquia:
 
tirando poucos cardeais altamente sensíveis à tradição da Igreja Católica e respeitosos às exortações claras do Santo Padre, o restante de seu colegiado parece, quase que completamente, ignorar estas questões, por assim dizer, “formais”, do culto católico.
Por outro lado, o interesse principal de muitos parece estar associado a uma iteração das funções institucionais: fazer conferências, falar muito sobre o beato João Paulo II, visitar paróquias, assistir a inaugurações de todo tipo e, também, falar a propósito e despropósito… Poucos celebram corretamente a Santa Missa com o rito de Paulo VI e uma minoria, a Missa latina tradicional, embora incentivada pelo mesmo Pontífice.
 
Outros, com funções institucionais, parecem não perceber que que a Igreja está imersa na maior crise desde a sua fundação. Esta inércia dos cardeais, adicionada a surdez da hierarquia do Vaticano à indicações do Papa Bento XVI e o oportunismo e as manobras políticas-mediáticas, dão a ideia de um grupo de poder que vive imerso em uma realidade paralela. Quando acordarem deste sono letárgico, será tarde demais.
 
2. A dissolução lenta do catolicismo na ação social:
 
continuamos a repetir passivamente que os valores fundamentais da nossa sociedade são cristãos, que os fundamentos da nossa moral são cristãos, no entanto, a realidade é muito diferente. É uma realidade na qual a Igreja é cada vez mais marginalizada, forçada a recuar e transformar-se em pátina fina, que cobre a nossa crescente insensibilidade religiosa. As igrejas estão cada vez mais vazias, e mesmo quando estão cheias não conseguem cobrir o vazio: vazio de formação, de catequese, de cristandade, vazio de autêntica moralidade católica, etc. O culto se tornou para muitos uma mera repetição de fórmulas, aparentemente compreensíveis e sinal de participação, mais ainda, fórmulas que apenas 10% dos católicos praticantes é capaz de explicar com adequada fidelidade ao catecismo da Igreja Católica. E neste contexto de fé, ou seja, uma fé ancorado apenas aos momentos de dor, de morte e de doença, quando os católicos vão à Igreja como última praia, quando o mundo não oferece mais esperança e não consegue dar nenhum sedativo às emoções.

Os sacerdotes se debatem à procura de algo de novo, fazendo experiências de todo tipo: cantando, recitando, fazendo cruzeiros turísticos e, claro, aparecendo continuamente na televisão, em transmissões nem sempre “católicas”: casando divos da mundanidade, jogadores de futebol e nunca pregando e explicando a Palavra de Deus com seriedade, como padre Paulo Ricardo, José Augusto e poucos outros.

 
Tudo isso acontece à causa da substituição lenta, mas progressiva, do cristianismo com o mundo, da espiritualidade com o materialismo, da fé com a dialética mundana. E a mesma Igreja é responsável por essa mudança repentina do sobrenatural ao contingente.
 
3. A imoralidade dos religiosos:
 
convencer os paroquianos de que as missas de um sacerdote gay, ou de um pedófilo, ou de um drogado, hipocritamente celebrada por anos, são válidas e que eles podem ainda confiar na Igreja, é uma tarefa difícil, se não impossível. Precisam de muita fé.

E neste caso não serve o “mea culpa” da Igreja, serve sim uma ação seria: jogar fora dos seminários as legiões de seminaristas homossexuais e abertamente afeminados e censurar todos os bispos que protegem padres gays e sacerdotes pedófilos. Seria suficiente defenestrar do Vaticano os gays conclamados que alcançaram posições de respeito e que, dentro dos murais Leoninos, são conhecidos por suas atenções voltadas aos machos. Em suma, apenas um pouco de coerência.

A mesma coerência que é pedida aos leigos deveria ser também válida aos Sacerdotes, Bispos e Cardeais, sem considerar-se nem uma casta de eleitos, nem os protetores messiânicos de uma organização para-mafiosa, mas operando com verdade e caridade: amor sobretudo para com os mais fracos, ou seja, as crianças e os fiéis, uma verdade de se viver na própria vida, já que operam não apenas em primeira pessoa, mas como portadores e continuadores da fundação sobrenatural de Cristo. Mas a imoralidade religiosa vai muito além das fronteiras do pátio da sexualidade, avança nas salas da ganância e do comércio económico, da vaidade e da presunção sem qualquer tipo de escrúpulo.
Isso, no entanto não significa que os leigos, antes destes fatos, devem parar e não fazer mais nada. Sabemos que a Igreja, não obstante estes fatos, continuará caminhando para a frente, porque existe a promessa de Cristo. A nossa tarefa é mais modesta, saber ajudar os bons sacerdotes a continuar nas suas missões evangelizadoras e a servir sempre melhor a comunidade cristã, a difundir a espiritualidade católica genuína, aquela que vem do Magistério de Pedro e dos Bispos em comunhão com Ele, refletir e responder às perguntas dos homens a respeito das questões importantes como a eternidade e a vida após a morte, etc.

A Igreja, e em particular a Igreja do Brasil, deve se libertar das ideologias dos “sessenta e oito” e de todos os resíduos da Teologia da Libertação, ainda tão difundida entre o clero e entre a maioria dos Bispos, que embora não a admitam abertamente, por medo de perder suas cadeiras, a aceitam concretamente na própria diocese, teologia esta, impregnada de marxismo e de Hegelismo e condenada abertamente pelo beato João Paulo II.

Essas tarefas são complexas e difíceis, exigem testemunho diário, poucas palavras e muitos fatos, contemplação, reflexão e nenhuma cruzada ideológica. Exigem especialmente a nossa adesão e a coerência dos sacerdotes fiéis ao Magistério do Papa e de um trabalho que começa por baixo, que necessita de muita humildade e de capacidade de sofrer com Cristo, percorrendo a mesma estrada que Ele, mas que nos dá a certeza de trabalhar para o Reino e de caminhar na estrada da santidade que a trinta anos Nossa Senhora indica, daquela cidade longínqua de Medjugorje.
 
Pe. Eugenio Maria, FMDJ
Fundador da Fraternidade Monástica dos Discípulos de Jesus para a Glória de Deus Pai
 
 
 

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