Morte anunciada

 

  

«Não basta vestir a camisa; é preciso jogar em favor da vida»
 

Uma das principais lideranças pró-vida do Rio de Janeiro, Dóris Hipólito (Maria das Dores Hipólito Pires), presidente da Associação Nacional Mulheres Pela Vida, com sede no Rio de Janeiro esta sendo ameaçda de morte.

Aqui , trechos da entrevista concedida ao jornalista Hermes Rodrigues Nery,  inserida no livro “A Causa da Vida”.   Mesmo dencunciando a ameaça  de morte, sua situação é ignorada pelas autoridades do Rio de Janeiro: 

Fale um pouco sobre a história da Associação Mulheres pela Vida.

Dóris Hipólito: Fundei a Associação Nacional Mulheres pela Vida no ano de 1998, com o objetivo de mostrar à opinião pública que as mulheres brasileiras não perderam sua vocação natural à maternidade, e que repudiam o aborto como crime hediondo. Como um grupo organizado, passamos a ter condições de enfrentar as entidades auto-intituladas “feministas” que, financiadas ou não por organizações internacionais de controle demográfico, desejam legalizar o aborto em nosso país.

A Associação Mulheres pela Vida oferece às mulheres em risco de praticar aborto, atividades no campo social, educacional e político, visando resgatar a dignidade plena de cidadã e filha de Deus. Oferecemos cursos profissionalizantes de corte e costura, overloque, colarete, confecção de bolsas, artesanatos com jornal, pintura em tecido, reciclagem de roupas usadas, confecção de fraldas descartáveis, e estamparia. Quando aptas são encaminhadas para o mercado de trabalho, contamos com a parceria de algumas fábricas que optam por empregar as mulheres assistidas por nós. Oferecemos cesta básica para as grávidas carentes até o desmame do bebê e o curso de alimentação alternativa e xaropes caseiros.

Durante o período do curso elas recebem café da manhã, almoço, e lanche da tarde, e os filhos que não estão em idade escolar são acolhidos por uma equipe com atividades próprias, e os bebês de peito passam o dia com a mãe.
Oferecemos alfabetização para as gestantes analfabetas. O enxoval completo do bebê é confeccionado pelas próprias gestantes. Encaminhamos e acompanhamos o Pré-Natal, assistindo-as nos exames e na compra das vitaminas necessárias para a saúde de mãe e filho.

Todo 1º sábado de cada mês oferecemos formação com palestras sobre maternidade responsável, ensinamos o método Billings, e outros temas tais como: Vida Intra-Uterina, Aborto, Sexualidade Humana e Familiar, Aleitamento materno, Castidade-Sexo seguro, DSTs, e demais temas de interesse da mulher.

Todo este trabalho é patrocinado apenas pelas pessoas de boa vontade. Não recebemos recursos de nenhum governo, seja a nível municipal, estadual ou federal. Agradecemos a todos aqueles que de alguma forma colaboram para que este trabalho aconteça, resgatando e salvando Vidas, dom supremo, direito fundamental do ser humano.

Concretamente, indique-nos dez propostas de políticas públicas em defesa da vida e da família.

Dóris Hipólito:

1) Proteger a família, base da sociedade e santuário da vida, defendendo-a da pornografia televisiva, das campanhas governamentais de promoção do homossexualismo, e do hedonismo sexual nos currículos escolares.

2) Valorizar a presença, o trabalho e a imagem da mulher na família, sobretudo enquanto mãe, desfazendo a idéia de que é preciso “igualar-se” ao homem ou competir com ele para ser feliz.

3) Investir na assistência pré-natal e pós-natal, hoje imensamente deficiente, enquanto há uma verdadeira obsessão dos órgãos públicos pela anticoncepção e esterilização femininas.

4) Oferecer aos jovens e adolescentes uma sadia formação para a castidade, em lugar das atuais campanhas de “prevençao” (ou propagação?) das DST que incentivam toda e qualquer libertinagem, desde que praticada com “segurança”.

5) Incentivar a adoção e eliminar os entraves burocráticos que hoje enfrenta quem deseja dar um lar para uma criança.

6) Garantir a indenização, pelo Estado, às mulheres vítimas de estupro, assim como pensão alimentícia para os filhos gerados em uma violência sexual.

7) Revogar imediatamente as Normas Técnicas e a Portaria do Ministério da Saúde que prevêem a prática do crime do aborto nos hospitais públicos, com o dinheiro de nossos impostos.

8) Oferecer à mulher casada, em lugar da mutilação (laqueadura) e da intoxicação do organismo (drogas anticoncepcionais), o conhecimento de seu período de fertilidade, como meio natural de regular a procriação, em colaboração com seu cônjuge.

9) Distribuir pelo SUS ácido fólico às mulheres em idade fértil, a fim de prevenir anomalias fetais como a anencefalia.

10) Celebrar anualmente, como já fazem vários países, o “Dia do Nascituro”, como valorização da maternidade e da vida intra-uterina.

Que ações você considera importantes no processo de conscientização e sensibilização da sociedade em relação à defesa da vida?

Dóris Hipólito: Penso que deveríamos atingir o campo da Educação. Em lugar das aulas de prostituição – rotuladas pelo nome de “Educação Sexual” – o Estado deveria introduzir no Ensino Fundamental e Médio a Educação para a Castidade. Estou convencida de que sem um investimento maciço nessa virtude moral, todos os esforços para combater o aborto são insuficientes. Como conseqüência espontânea da valorização do corpo humano, da reprodução, do matrimônio e da família, os alunos aprenderiam a respeitar a vida intra-uterina e a repudiar o aborto como algo monstruoso.

Como envolver mais os religiosos e também as pastorais, especialmente a Pastoral Familiar, na causa da vida?

Dóris Hipólito: É preciso conquistar o clero. Parece que nossos bispos, sacerdotes e diáconos ainda não despertaram suficientemente para a gravidade do momento e para a importância de “gritar sobre os telhados” em defesa da vida e da família. Não quero generalizar, pois felizmente há exceções. Mas continuam sendo exceções…

E os políticos? Pode-nos indicar dez encaminhamentos práticos em termos de propostas legislativas, para garantir o direito à vida e a proteção da família? O que podemos fazer em nível municipal, estadual e federal?

Dóris Hipólito: Aqui no Rio de Janeiro, conseguimos aprovar a lei que instituiu o Dia do Nascituro, que hoje, em nosso Estado, é celebrado em 25 de março. Não foi fácil, mas conseguimos.

Algumas propostas legislativas:

1) uma emenda constitucional que explicite a proteção à vida “desde a concepção”, no artigo 5º de nossa Carta Magna;

2) uma lei que revogue o artigo 5º da Lei de Biossegurança, que autoriza a manipulação e destruição de seres humanos em estágio embrionário;

3) uma lei que regulamente o art. 221, inciso IV da Constituição Federal, que prevê meios de a família se defender contra o desrespeito aos valores éticos nos meios de comunicação social;

4) uma lei que estenda a todo o território nacional a celebração do Dia do Nascituro;

5) uma lei que ofereça à mulher que engravidar em razão de um estupro pensão alimentícia para o filho até sua maioridade;

6) uma lei que proíba a comercialização e o uso de microabortivos, como o DIU e a “pílula do dia seguinte”, que se ocultam sob o eufemismo de “contraceptivos de emergência”;

7) uma lei que equipare, para fins penais, o nascituro ao nascido, e o aborto ao homicídio, com todas as circunstâncias agravantes do aborto;

8) uma lei que revogue os casos de não-punição do aborto enumerados no art. 128 do Código Penal;

9) uma lei que introduza no Estatuto da Criança e do Adolescente a proteção expressa dos menores contra o hedonismo sexual;

10) uma lei que valorize o trabalho da mulher no lar, garantindo aposentadoria à dona de casa.

Que iniciativas podemos empreender para viabilizar recursos que permitam ampliar a ação pró-vida no Brasil, numa soma de esforços e ações conjuntas com as entidades e grupos que já atuam, cada um como pode?

Dóris Hipólito: Nós, pró-vida, não temos o dinheiro farto que os grupos pró-morte recebem do exterior. Mas nossa pobreza material é compensada pela graça de Deus. Como vivemos num país de dimensões continentais, precisamos encurtar as distâncias e os tempos através dos modernos meios de comunicação e sobretudo pela Internet. A informação é uma arma poderosíssima em nossa batalha. Temos que nos manter coesos e informados, cada grupo dentro de sua região e de seu campo específico de atuação.

E em termos de educação? Muitos dos nossos professores são vítimas dos abismos morais do relativismo cultural. Prevalece o permissivismo, de conseqüências altamente desumanas. Como cultivar a “cultura da vida” em nossas salas de aula? Pode-nos indicar dez propostas nesse sentido?

Dóris Hipólito: Nossas propostas são:

1- Esclarecer que a vida humana começa com a primeira célula, chamada “zigoto”, ou seja, no momento em que o espermatozóide fecunda o óvulo, isto é, no momento da concepção. Os professores de Biologia podem ajudar muito nisso.

2- Esclarecer que todos os seres humanos têm a mesma dignidade, independentemente de sua idade (ainda no ventre materno e depois do nascimento), estado de saúde física ou mental, classe social, raça, ou qualquer outra condição. Os professores de Filosofia e Ética podem dar uma grande contribuição nesse sentido.

3- Exibir vídeos que mostrem a complexidade e a beleza da vida intra-uterina. Isso também pode ser tarefa dos professores de Biologia.

4- Esclarecer que os preservativos não são confiáveis para evitar a AIDS tampouco a gravidez, principalmente em virtude dos minúsculos orifícios que possuem. Missão dos professores de Biologia.

5- Incentivar a prática da castidade como único meio 100% eficaz para evitar a AIDS e a gravidez.

6- Descrever alguns dos métodos de abortamento provocado, do ponto de vista da mulher, que sofre conseqüências físicas e principalmente psicológicas e também do ponto de vista do bebê, que é assassinado! Para tal, também os professores de Biologia podem exibir as fitas de vídeo ou DVDs entitulados “O Grito Silencioso”ou “A Dura Realidade”, por exemplo.

7- Pedir aos alunos que pesquisem e escrevam sobre questões como “direitos humanos”, “eutanásia” ou “eugenia”, por exemplo. Os professores de Língua Portuguesa podem empenhar-se nisso.

8- Sugerir que os alunos visitem sites de grupos brasileiros e estrangeiros que defendem a vida humana desde a concepção até a morte natural. Alguns poderiam ser: http://www.providafamilia.org, http://www.defesadavida.com, http://www.defesadavida.com.br,www.providaanapolis.org,www.cidadaospelavida.org, http://www.juventudepelavida.com.br, http://www.vidahumana.org e também sites que exibem fotos de bebês abortados, como: http://www.abortionno.org ou http://www.priestsforlife.com. Professores de Biologia podem tratar do assunto.

9- Pedir aos alunos que escrevam e pesquisem sobre o problema do abortamento provocado nos aspectos ético, jurídico, médico, e religioso, do ponto de vista do bebê, já que, digamos, ele é o mais interessado na questão. Novamente, talvez os professores de Língua Portuguesa pudessem colaborar para esse fim.

10- Pedir aos alunos que façam uma encenação de uma conversa em que algumas pessoas estejam discutindo sobre a possibilidade de uma mulher fazer um aborto, e onde o bebê no ventre materno também fale o que ele pensa de tudo isso! Certamente professores de Língua Portuguesa poderiam explorar esse tema, dessa forma, para dar aulas de comunicação oral.

Em relação ao PL 1135/91, que libera o aborto no Brasil, em tramitação no Congresso Nacional. Como fazer para evitar a sua aprovação?

Dóris Hipólito: Pressionar as bases dos deputados com faixas e outdoors; usar as rádios comunitárias, jornais de bairro ou da Igreja para denunciar e anunciar a posição deles e delas no tocante a esse projeto pelo qual o governo Lula pretende de legalizar o aborto.

Como vê o trabalho da Frente Parlamentar em Defesa da Vida?

Dóris Hipólito: Ainda muito tímido. Tenho certeza de que esta bancada tem boa vontade, mas seus membros ainda não possuem a formação necessária e argumentos eficazes para convencer os que ainda estão indecisos. Não basta vestir a camisa; é preciso jogar!

Que ações podem ser empreendidas no âmbito do Judiciário para fazer valer legislações pró-vida?

Dóris Hipólito: Qualquer cidadão pode impetrar habeas corpus contra a decisão arbitrária de um juiz ou tribunal que decrete a morte de um nascituro. Outros recursos como a ação popular e a ação civil pública podem ser usados para impedir a utilização do dinheiro dos contribuintes com a prática de abortos pelo SUS, para suspender o uso de abortivos que impedem a nidação do embrião no útero (como o DIU e a pílula do dia seguinte) e para sustar a propaganda enganosa do chamado “sexo seguro”. Outras medidas podem ser adotadas por juristas trabalhando em conjunto, a exemplo da União de Juristas Católicos da Arquidiocese do Rio de Janeiro (UJUCARJ).

Maria das Dores Hipólito Pires
Presidente da Associação Nacional Mulheres Pela Vida

 

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