Luta de vida ou morte

 

A realidade do aborto nos Estados Unidos

 

Com os novos membros da Câmara Legislativa dos Estados Unidos, parece que o aborto vai continuar sendo um tema candente. O deputado Mike Pence apresentou uma proposta de lei com outros 122 co-patrocinadores para acabar com o financiamento federal a quem aborta, conforme o Christian Newswire de 7 de janeiro.

A Planned Parenthood é a organização que mais perderia com a nova lei. Segundo Pence, a Planned Parenthood recebeu no ano passado 363 milhões de dólares de fundos do governo federal. Nesse período, a organização realizou 324.008 abortos, 5,8% a mais que no ano anterior.

Pence declarou sua oposição ao aborto e enfatizou que “é imoral tirar os dólares de impostos de milhões de norte-americanos contrários ao aborto para usá-los na promoção do aborto no país ou no exterior”.

Neste mês, a Planned Parenthood também é alvo de publicidade negativa com a publicação do livro “unPLANNED”, de Abby Johnson, ex-funcionária de uma clínica de abortos.

Durante oito anos, ela trabalhou primeiro como voluntária e depois como contratada da Planned Parenthood. Seu apoio ao aborto mudou drasticamente no dia em que lhe pediram ajuda na execução de um: ela foi testemunha, graças ao ultrassom, de como um bebê de 13 semanas lutava pela vida enquanto o procedimento era realizado.

Numa entrevista publicada em 11 de janeiro no site do National Catholic Register, Johnson afirmou que nunca tinha visto um monitor de ultrassom durante um aborto até então. Ela era diretora da clínica em Bryan, Texas.

Johnson explicou que a Planned Parenthood sempre tinha lhe dito que um feto não possuía desenvolvimento sensorial até as 28 semanas. Essa afirmação contradizia o que ela mesma tinha visto na tela do ultrassom: o feto lutando para não ser sugado.

Seu livro descreve como essa experiência a fez abandonar o trabalho na clínica. O texto conta o seu caminho desde a universidade até virar chefe de uma clínica e depois a sua transformação em defensora pró-vida.

A Planned Parenthood tentou evitar a publicação do livro, mas não conseguiu. O que mais preocupava a organização era a descrição de como ela pressionava para que a clínica de Johnson aumentasse o número de abortos por causa do grande lucro gerado pelos procedimentos.

Estatísticas preocupantes

Não há estatísticas oficiais totais do número de abortos nos Estados Unidos. Uma boa ideia da situação, no entanto, pode ser obtida a partir do estudo publicado em 11 de janeiro pelo abortista Guttmacher Institute.

Segundo o estudo, baseado num censo das instituições abortistas conhecidas, parou de cair o número de abortos, fenômeno que era uma constante desde 1981. O instituto afirmou que a taxa de 2008 foi de 19,6 abortos por cada 1.000 mulheres de 15 a 44 anos. É um pequeno aumento em comparação com os 19,4 de 2005.

O número total de abortos em 2008 (1,21 milhão) subiu ligeiramente, em cerca de 6.000. O número de instituições abortivas também mostrou pequeno crescimento, de 1.787 para 1.793 entre 2005 e 2008.

O censo descobriu ainda um aumento no uso do aborto farmacológico em vez dos procedimentos cirúrgicos nas primeiras etapas da gravidez, normalmente por meio do abortivo RU-486.

Em artigo de 11 de janeiro, analisando os últimos números, o Washington Post proporcionou mais informação sobre o uso da RU-486. Em 2010, seu uso subiu 24% em comparação com 2009, passando de 161.000 para 199.000. Representa 17% de todos os abortos.

A reação do Guttmacher Institute a esses dados foi defender maior acesso aos serviços contraceptivos e a garantia de uso dos serviços abortivos para as mulheres.

Na contramão, Jeanne Monahan, diretora do Family Research Council do Center of Human Dignity, pediu mais esforço para se reduzir o número de abortos.

Num comunicado de imprensa, também de 11 de janeiro, Monahan louvou as organizações de defesa da vida e destacou que as pesquisas mostram um número crescente de norte-americanos que se declaram pró-vida.

Monahan criticou a campanha do Guttmacher Institute para eliminar as restrições ao aborto: “Como eles podem dizer que a taxa de abortos não é alta demais?”.

Um comentário sobre o informe publicado no mesmo dia pela LifeNews.com abordou a tese do instituto de que mais contraceptivos reduziriam os abortos.

O artigo destacou que o mesmo estudo mostrava que a maioria dos abortos (54%) acontecia quando os anticoncepcionais falhavam. Os últimos dados da Espanha parecem corroborar esta análise, mostrando um aumento do número de abortos apesar de ter havido ao mesmo tempo muitíssima divulgação do planejamento familiar.

Dado que a pílula e os chamados “métodos de barreira” apresentam falhas, junto com o fato de as pessoas nem sempre os usarem adequadamente, o artigo defendia que o controle da natalidade é simplesmente incapaz de eliminar as gravidezes “indesejadas”.

Pavoroso

Pouco antes da publicação dos últimos números, o arcebispo de Nova Iorque, Dom Timothy M. Dolan, divulgou um chamamento à redução dos abortos na cidade.

“É claramente pavoroso que 41% dos bebês de Nova Iorque sejam abortados, e que esse número chegue a ser maior ainda no Bronx e no caso dos nossos bebês afro-americanos”, declarou em entrevista coletiva de 6 de janeiro, na Chiaroscuro Foundation do Penn Club de Nova Iorque.

O arcebispo observou que Nova Iorque é conhecida por acolher os imigrantes e agregou: “Tragicamente, estamos deixando de lado o menor de todos, o mais frágil e vulnerável: o bebê no ventre materno”.

Em reportagem de 7 de janeiro sobre essa entrevista coletiva, o New York Times explica que se tratava de um esforço conjunto de vários líderes religiosos, coordenados pela Chiaroscuro Foundation, uma entidade sem fins lucrativos financiada de forma privada por seu presidente, Sean Fieler, dono de um banco de investimentos.

A cifra de 42% vinha de um informe do departamento de saúde da cidade. As estatísticas mostravam que tinham acontecido 87.273 abortos em 2009, número abaixo dos 94.466 de 2000. O informe também revelava que a taxa de abortos por gravidez nas mulheres negras era próxima de 60%.

Não se costuma falar da taxa de abortos tão alta que há entre as mulheres negras, algo que organizações como TooManyAborted.com estão tentando mudar.

Segundo a informação publicada em sua página na internet, cerca de 40% de todas as gravidezes de mulheres negras terminam em aborto. Esta cifra é o triplo em relação às mulheres brancas e o dobro em relação a todas as raças combinadas.

A página na internet também explica que a pressão pelos “direitos reprodutivos” tem sua origem em uma mentalidade elitista promovida pela fundadora do Planned Parenthood, Margaret Sanger. Ela e outros trabalharam duro para promover o aborto entre os negros e os pobres.

Todas essas notícias surgiram enquanto se preparava o maior evento pró-vida do ano, a Marcha pela Vida de 24 de janeiro, em Washington D. C. A Igreja Católica celebrou o acontecimento com uma Vigília Nacional de Oração, de 23 a 24 de janeiro, na Basílica da Capela Nacional da Imaculada Conceição.

A vigília abriu com uma Missa, presidida pelo cardeal Daniel N. DiNardo, presidente do Comitê pró-Vida da Conferência Episcopal dos Estados Unidos.

Ainda que a manifestação normalmente receba pouca cobertura da mídia, atrai um grande número de pessoas, muitas delas jovens. Seu êxito mostra como o destino das crianças abortadas continua sendo um tema que congrega muita gente.

Pe. John Flynn, L.C.

Fonte: Zenit Org

 

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