O Papa e os direitos humanos no Brasil

Fiel à sua missão, a Igreja instrui e anima seus pastores e impulsiona seus filhos na vivência e na proclamação corajosa da Palavra de Deus. Assim fez Jesus com seus discípulos quando os enviou a anunciar o evangelho a todas as criaturas, prevenindo-os que não se desencorajassem nem mesmo quando se encontrassem ameaçados por lobos ou não fossem bem recebidos numa  cidade. O compromisso com a verdade está acima de todas as situações confortáveis, mesmo porque a Verdade para a Igreja não é um texto ou um enunciado, mas é uma pessoa, ou seja, ele mesmo, o Cristo. Seu compromisso é com o Verbo Encarnado e por ele, ela está disposta a tudo. Isto justifica até o martírio, se necessário.

Na semana que passou, o Santo Padre Bento XVI fez aos bispos do Regional Nordeste 5 (Maranhão), um discurso profético de grande significação na defesa dos legítimos direitos da pessoa humana. O Sucessor de Pedro não podia ser mais claro. Alertou sobre os perigos de regimes políticos que pretendem ser considerados ‘democracia’, mas que ‘clara ou veladamente’ defendem leis abortistas ou propugnem outras medidas contrárias à vida. Literalmente diz o Papa: seria totalmente falsa e ilusória qualquer defesa dos direitos humanos políticos, econômicos e sociais que não compreendesse a enérgica defesa do direito à vida desde a concepção até à morte natural (cf. Christifideles laici, 38). Além disso, no quadro do empenho pelos mais fracos e os mais indefesos, quem é mais inerme que um nascituro ou um doente em estado vegetativo ou terminal? Quando os projetos políticos contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto ou da eutanásia, o ideal democrático – que só é verdadeiramente tal quando reconhece e tutela a dignidade de toda a pessoa humana – é atraiçoado nas suas bases (cf. Evangelium vitæ, 74).

Como legítimo sucessor do Príncipe dos Apóstolos, a quem Jesus entregou o poder das chaves, e a quem é dado o ministério de confirmar os irmãos na fé, o Papa anima os Pastores a não temerem, nem negligenciarem diante de situações que desafiem os princípios da dignidade humana, pois a Igreja não pretende fazer política como os políticos que procuram agradar para ganharem votos. Ela, na serenidade e na paz, no respeito e na busca sincera do bem comum, prega com coragem, quer agrade, quer desagrade, admoesta e suplica, conforme ensinou Paulo.

São significativas as expressões do Papa neste sentido: Portanto, caros Irmãos no episcopado, ao defender a vida «não devemos temer a oposição e a impopularidade, recusando qualquer compromisso e ambigüidade que nos conformem com a mentalidade deste mundo» (ibidem, 82). Além disso, para melhor ajudar os leigos a viverem o seu empenho cristão e sócio-político de um modo unitário e coerente, é «necessária — como vos disse em Aparecida — uma catequese social e uma adequada formação na doutrina social da Igreja, sendo muito útil para isso o “Compêndio da Doutrina Social da Igreja”» (Discurso inaugural da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, 3). Isto significa também que em determinadas ocasiões, os pastores devem mesmo lembrar a todos os cidadãos o direito, que é também um dever, de usar livremente o próprio voto para a promoção do bem comum (cf. GS, 75).

Além disso, o Papa relembra pontos importantes como a necessidade de se garantir o direito ao ensino religioso confessional, opcional conforme a religião do aluno, e o direito do povo brasileiro de ver os símbolos religiosos nas repartições públicas. Eis suas palavras: Por isso, amados Irmãos, uno a minha voz à vossa num vivo apelo a favor da educação religiosa, e mais concretamente do ensino confessional e plural da religião, na escola pública do Estado.

Sobre a presença de símbolos religiosos, diz: Queria ainda recordar que a presença de símbolos religiosos na vida pública é ao mesmo tempo lembrança da transcendência do homem e garantia do seu respeito. Eles têm um valor particular, no caso do Brasil, em que a religião católica é parte integral da sua história. Como não pensar neste momento na imagem de Jesus Cristo com os braços estendidos sobre a baía da Guanabara que representa a hospitalidade e o amor com que o Brasil sempre soube abrir seus braços a homens e mulheres perseguidos e necessitados provenientes de todo o mundo? Foi nessa presença de Jesus na vida brasileira, que eles se integraram harmonicamente na sociedade, contribuindo ao enriquecimento da cultura, ao crescimento econômico e ao espírito de solidariedade e liberdade.

Citando sua recente viagem à Inglaterra, o Papa relembra os benefícios da religião para a sã administração de um povo, vencendo uma errônea forma de entender a laicidade:  Com efeito, sem a correção oferecida pela religião até a razão pode tornar-se vítima de ambigüidades, como acontece quando ela é manipulada pela ideologia, ou então aplicada de uma maneira parcial, sem ter em consideração plenamente a dignidade da pessoa humana. (Viagem Apostólica ao Reino Unido, Encontro com as autoridades civis, 17-IX-2010).

Uma sociedade sem Deus corre o risco de se tornar anárquica, com a moral e a ética comprometidas. Sobre esta presença divina, afirma: Deus deve «encontrar lugar também na esfera pública, nomeadamente nas dimensões cultural, social, econômica e particularmente política. (Caritas in veritate, 56). 

Observamos que estes temas estão relacionados ao polêmico e inaceitável PNDH3 (Plano Nacional dos Direitos Humanos 3), infelizmente assinado pelo Governo da República em dezembro de 2009, e que, necessariamente deverá ser revisto se  nossos governantes quiserem respeitar a democracia e a liberdade, inclusive religiosa, do povo brasileiro. Sinto-me confortável ao ouvir as sábias palavras do Santo Padre aos bispos do Maranhão, em Visita ad Limina Apostolorum, mesmo porque, modéstia à parte,  tive a oportunidade e a honra de ser o primeiro bispo brasileiro a levantar tais questões em janeiro de 2010, no Curso de Atualização Teológico-Pastoral, no Rio de Janeiro, e que gerou uma lista de mais de setenta assinaturas dos irmãos bispos, em uma mensagem final na qual expressava-se grande preocupação com tais pontos presentes no referido documento dos então governantes.

O feliz pronunciamento de Sua Santidade constitui uma excelente reflexão para o momento político que estamos hodiernamente vivemos no Brasil.

 Juiz de Fora, 30 de outubro de 2010.

Dom Gil Antônio Moreira   Arcebispo Metropolitano

 

Fidelidade de Cristo, Fidelidade da Igreja

 

O Papa Bento XVI foi claro:  pediu  um engajamento dos seus Bispos pela luta em defesa da vida  contra as políticas abortistas. E disse isso aos Bispos brasileiros do Nordeste,  às vésperas das eleições do segundo turno, quando o Brasil vai escolher o seu Presidente.

Suas palavras vão de encontro ao momento muito delicado  que estamos vivendo com a Igreja  no Brasil:

Quando temos uma parte dos nossos  Bispos  e  de Padres, que estão denunciando as práticas abortistas do PT, como o único  partido que  assumiu de forma oficial  o seu trabalho pela legalização do aborto do nosso país. Ver PNDH-3, Consenso de Brasília e tantas outras ações.

Do lado oposto, mesmo sendo Bispos e Padres da Igreja Católica, vamos encontrar aqueles que defendem abertamente o PT, e é claro estão defendendo o aborto, porque não há como separar mais  uma coisa da outra. Como se não bastasse só isso,  esses Bispos e Padres partem para o ataque contra os outros seus irmãos  Bispos e Sacerdotes que se colocaram numa posição clara em defesa da Vida. 

E ainda vamos encontrar aqueles outros Bispos e Padres que falam da defesa da vida, falam do voto ético e em favor da família, mas sem identificar o PT como um partito assumidamente abortista. E assim,  deixam o PT mentir e enganar o povo brasileiro, que na sua grande maioria é contra a legalização do aborto no Brasil.  E deixam enganar até os próprios  católicos, quando o PT aparece – numa farsa sem igual – com apoio daqueles  que tem  se apresentado como representantes da nossa Igreja:  teólogos, Padres, Bispos com os seus nomes numa lista pró Dilma, que na prática é uma lista pró PT, uma lista pró aborto.  E quero citar aqui tambérm,  o Prof.  Gabriel Chalita e a Comunidade Canção Nova no seu apoio dado ostensivamente à candidatura da Marta, da Dilma e do PT abortista. 

Temos, também, uma outra categoria de Padres e Bispos: aqueles que se calam – se omitem de tudo  – e não falam absolutamente nada de nada.

No meio de toda essa grande divisão e  tristeza em que estamos vivendo como Igreja no Brasil –  basta dizer o que  estão fazendo com o nosso querido Bispo Dom Luiz Gonzaga Bergonzini da Diocese de Guarulhos –  o Papa vem a nós com as suas palavras de sabedoria e se apresenta como nosso Pastor e Pai. E a partir dessas suas palavras não há  como ninguem fugir ou fingir mais. Cada um de nós fica claramente identificado no seu lugar, no seu papel, naquilo que esta fazendo e é  como Padre, Bispo, Arcebispo, leigo, e ou comunidade. 

Na nossa  Igreja só há dois papeis: ou estamos com Cristo ou contra Ele. Ou vivemos nossa Fidelidade como Igreja, como Corpo Místico do Senhor, ou somos infiéis. Ou estamos com o Evangelho da Vida ou não. Não existe outra forma de ser, ou sim ou não.

Pedimos ao Senhor que a sua Igreja possa se levantar proféticamente  em favor da Vida e que não deixe o PT  avançar mais com o seu projeto abortista no Brasil. O voto católico é o voto pela vida.

Ernesto Peres de Mendonça 

 

Papa Bento XVI condena o aborto e pede posição dos Bispos Brasileiros pela Defesa da Vida

 

<<< Quando, porém, os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas  >>>

Papa Bento XVI

 

Leia no Post anterior a íntegra do Discurso do Papa Bento XVI aos Bispos do Nordeste

 

Papa Bento XVI: política e fé se tocam

Pronunciamento do Papa Beto XV I , nesta manhã de 5a. feira, dia 28 de Novembro aos Bispos do Nordeste:

 

Amados Irmãos no Episcopado,

“Para vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo” (2 Cor 1, 2). Desejo antes de mais nada agradecer a Deus pelo vosso zelo e dedicação a Cristo e à sua Igreja que cresce no Regional Nordeste 5 [cinco]. Nos nossos encontros, pude ouvir, de viva voz, alguns dos problemas de caráter religioso e pastoral, além de humano e social, com que deveis medir-vos diariamente. O quadro geral tem as suas sombras, mas tem também sinais de esperança, como Dom Xavier Gilles acaba de referir na saudação que me dirigiu, dando livre curso aos sentimentos de todos vós e do vosso povo.

Como sabeis, nos sucessivos encontros com os diversos Regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, tenho sublinhado diferentes âmbitos e respectivos agentes do multiforme serviço evangelizador e pastoral da Igreja na vossa grande Nação; hoje, gostaria de falar-vos de como a Igreja, na sua missão de fecundar e fermentar a sociedade humana com o Evangelho, ensina ao homem a sua dignidade de filho de Deus e a sua vocação à união com todos os homens, das quais decorrem as exigências da justiça e da paz social, conforme à sabedoria divina.

Entretanto, o dever imediato de trabalhar por uma ordem social justa é próprio dos fiéis leigos, que, como cidadãos livres e responsáveis, se empenham em contribuir para a reta configuração da vida social, no respeito da sua legítima autonomia e da ordem moral natural (cf. Deus caritas est, 29). O vosso dever como Bispos junto com o vosso clero é mediato, enquanto vos compete contribuir para a purificação da razão e o despertar das forças morais necessárias para a construção de uma sociedade justa e fraterna. Quando, porém, os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas (cf. GS, 76).

Ao formular esses juízos, os pastores devem levar em conta o valor absoluto daqueles preceitos morais negativos que declaram moralmente inaceitável a escolha de uma determinada ação intrinsecamente incompatível com a dignidade da pessoa; tal escolha não pode ser resgatada pela bondade de qualquer fim, intenção, conseqüência ou circunstância. Portanto, seria totalmente falsa e ilusória qualquer defesa dos direitos humanos políticos, econômicos e sociais que não compreendesse a enérgica defesa do direito à vida desde a concepção até à morte natural (cf. Christifideles laici, 38).

Além disso no quadro do empenho pelos mais fracos e os mais indefesos, quem é mais inerme que um nascituro ou um doente em estado vegetativo ou terminal? Quando os projetos políticos contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto ou da eutanásia, o ideal democrático – que só é verdadeiramente tal quando reconhece e tutela a dignidade de toda a pessoa humana – é atraiçoado nas suas bases (cf. Evangelium vita, 74). Portanto, caros Irmãos no episcopado, ao defender a vida não devemos temer a oposição e a impopularidade, recusando qualquer compromisso e ambigüidade que nos conformem com a mentalidade deste mundo (ibidem, 82).

Além disso, para melhor ajudar os leigos a viverem o seu empenho cristão e sócio-político de um modo unitário e coerente, é “necessária — como vos disse em Aparecida — uma catequese social e uma adequada formação na doutrina social da Igreja, sendo muito útil para isso o “Compêndio da Doutrina Social da Igreja” (Discurso inaugural da V conferência Geral do Episcopado Latino Americano e do Caribe, 3). Isto significa também que em determinadas ocasiões, os pastores devem mesmo lembrar a todos os cidadãos o direito, que é também um dever, de usar livremente o próprio voto para a promoção do bem comum (cf. GS, 75).

Neste ponto, política e fé se tocam. A fé tem, sem dúvida, a sua natureza específica de encontro com o Deus vivo que abre novos horizontes muito para além do âmbito próprio da razão. “Com efeito, sem a correção oferecida pela religião até a razão pode tornar-se vítima de ambigüidades, como acontece quando ela é manipulada pela ideologia, ou então aplicada de uma maneira parcial, sem ter em consideração plenamente a dignidade da pessoa humana” (Viagem Apostólica ao Reino Unido, Encontro com as autoridades civis, 17-IX-2010).

Só respeitando, promovendo e ensinando incansavelmente a natureza transcendente da pessoa humana é que uma sociedade pode ser construída. Assim, Deus deve “encontrar lugar também na esfera pública, nomeadamente nas dimensões cultural, social, econômica e particularmente política” (Caritas in veritate, 56). Por isso, amados Irmãos, uno a minha voz à vossa num vivo apelo a favor da educação religiosa, e mais concretamente do ensino confessional e plural da religião, na escola pública do Estado.

Queria ainda recordar que a presença de símbolos religiosos na vida pública é ao mesmo tempo lembrança da transcendência do homem e garantia do seu respeito. Eles têm um valor particular, no caso do Brasil, em que a religião católica é parte integral da sua história.

Como não pensar neste momento na imagem de Jesus Cristo com os braços estendidos sobre a baia da Guanabara que representa a hospitalidade e o amor com que o Brasil sempre soube abrir seus braços a homens e mulheres perseguidos e necessitados provenientes de todo o mundo? Foi nessa presença de Jesus na vida brasileira, que eles se integraram harmonicamente na sociedade, contribuindo ao enriquecimento da cultura, ao crescimento econômico e ao espírito de solidariedade e liberdade.

Amados Irmãos, confio à Mãe de Deus e nossa, invocada no Brasil sob o título de Nossa Senhora Aparecida, estes anseios da Igreja Católica na Terra de Santa Cruz e de todos os homens de boa vontade em defesa dos valores da vida humana e da sua transcendência, junto com as alegrias e esperanças, as tristezas e angústias dos homens e mulheres da província eclesiástica do Maranhão. A todos coloco sob a Sua materna proteção, e a vós e ao vosso povo concedo a minha Benção Apostólica.

Papa Bento XVI

 

DPVAT por morte de nascituro – o acórdão expõe que nascituro é, portanto, pessoa !

 

 

A 6ª Câmara Cível do TJRS reconheceu o direito ao recebimento de indenização do seguro DPVAT pela morte de nascituro que se encontrava em gestação no ventre de mulher vítima fatal de acidente automobilístico.

A sentença proferida pela juíza Débora Kleebank, da 7ª Vara Cível do Foro Central de Porto Alegre, condenou a Confiança Companhia de Seguros ao pagamento de indenização de R$ 13.500,00 acrescidos de juros de 1% ao mês desde a data da citação, mais IGP-M, ocasionando apelação da companhia seguradora.

O relator, desembargador Ney Wiedmann Neto, lembrou que o art. 2º do Código Civil prevê que a personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida, mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro.

Lembrando precedente jurisprudencial, o acórdão expõe que “nascituro é, portanto, pessoa. Sendo assim, cumpre lhe atribuir o status de segurado do DPVAT, já que a lei que regula o seguro obrigatório tutela a pessoa, consoante se depreende do disposto no artigo 20, “l” do Decreto-Lei nº 73/66”.

Por isso, foi negado provimento à apelação da seguradora.

Atuam em nome da parte autora os advogados Daniela Rizzi e Jaime Bandeira Rodrigues. (Proc. n. 70037901493).

http://www.espacovital.com.br/noticia_ler.php?id=21282

Carta de Dom Luiz Gonzaga Bergonzini

 

 
“ Não temais, pequeno rebanho” 
(Lucas 12, 32) 

 

Queridos Diocesanos,
 
Sei que muitos de vós estais sofrendo diante das notícias que circulam nos meios de comunicação envolvendo o nome do Bispo de Guarulhos e da nossa Diocese. Com o coração de Pastor dessa porção do Povo de Deus, tomei a decisão de escrever-vos e partilhar a verdade daquilo que realmente aconteceu e está acontecendo, a fim de sanar as inúmeras dúvidas para que a paz e a serenidadese restabeleçam em vossos corações.
 
“ Eu vim para que todos tenham vida” (João 10,10)
 
Por consciência cristã e dever de Pastor do rebanho de Deus, iniciei em julho de 2010 uma batalha em favor da vida, Dom precioso de Deus. Tendo tomado conhecimento, após criteriosa pesquisa, dos projetos do Partido dos Trabalhadores (PT), para legalizar o aborto em nosso país, permitindo a sua prática na rede do SUS, vos escrevi na Folha Diocesana um artigo intitulado “Daía César o que é de César e a Deus o que é de Deus” , quando recomendei a todos vós que não désseis vosso voto a nenhum candidato ou partidos políticos que sejam a favor da legalização e descriminalização aborto. Esse meu procedimento transbordou oslimites da Diocese de Guarulhos e repercutiu em todo o Brasil, e até mesmo no exterior. Fui muitas vezes questionado sobre esse meu posicionamento e permaneci firme nesse ponto, pois o falar do cristão e sobretudo de um bispo da Igreja, deve ser “ sim, sim; não, não” . (cfr. Mateus 5,37)
 
Venceu-se a primeira batalha. “ A verdade vos libertará” (Jo 8,32)
 
Não tenho dúvida de que a polêmica sobre a legalização do aborto foi um dos elementos que fez com que as eleições para o cargo de Presidente da República tenha do para o segundo turno. O povo brasileiro quis refletir melhor sobre o que realmente pensam os candidatos sobre o princípio bíblico “ Não Matarás” (Êxodo 23,7); o povo começou a discutir o assunto. A falácia de que o “aborto é caso de saúde pública” perdeu a eficácia; a afirmação de que o aborto é uma agressão ao corpo da mulher foi desmascarada, e a sua real definição se impôs: aborto é antes de tudo assassinato de indefeso.
 
Conseqüência do anúncio“ …tome a sua cruz e siga-me.” (Marcos 8,34)
 
Sempre fui consciente de que o anúncio do Evangelho traz sobretudo a Cruz. – Meu Deus, como ela é pesada! Desde julho tenho recebido todo tipo de xingamento, ofensas pessoais, ameaças de morte através de cartas anônimas e de emails desrespeitosos que nenhum ser humano gostaria de receber. No dia 16 de outubro, por iniciativa da candidata Dilma Rousseff e o Partido dos Trabalhadores, o documento “APELOA TODOS OS BRASILEIROS” foi denunciado como panfleto de propaganda política, e através de liminar solicitada pelos seus advogados, os exemplares do documento eclesiástico foram apreendidos e a mesma candidata e seu partido sugeriram que eu estava cometendo crime político. Essa dor indescritível tem encontrado seu remédio nas orações que tenho feito diante do Santíssimo na capela da residência episcopal. É ali que tenho unido meu sofrimento ao sofrimento de Cristo Jesus e contemplado as cusparadas, bofetões e xingamentos que Nosso Senhor recebeu no caminho do Calvário e tenho então participado do mistério de Sua cruz. Estou consciente de que a única coisa que estou fazendo é dar cumprimento ao Evangelho.
 
A Defesa da Vida gera Comunhão. “Quem não é contra nós, é a nosso favor” (Marcos 9,40)
 
Durante esse processo encontrei, com alegria, outras vozes inspiradas no Evangelho de Cristo que também gritavam na defesa do Dom precioso da Vida: o Pastor Silas Malafaia, o Pastor Paschoal Piragini Júnior e tantos outros. Vieram somar com explicito apoio outros irmãos no episcopado tais como Dom Emílio Pignoli, D. Benedito Beni dos Santos, Cardeal D. Paulo Evaristo Arns, D. Aldo di Cillo Pagotto, Dom Orani João Tempesta, Dom João Bosco Oliver de Faria, Dom Manoel Pestana, Monsenhor Crescenti, Dom Gil Antonio Moreira, Dom Antonio Carlos Rossi Keller, os padres de Guarulhos, muitos religiosos e religiosas, inclusive pastores evangélicos, e muitos cristãos.
 
A Conferência Nacional Dos Bispos –CNBB Regional Sul I, através de sua Presidência e de sua Comissão Representativa, acolheu e recomendou a ampla difusão do Documento denominado “APELO A TODOS OS BRASILEIROS” , onde se explicita e denuncia o incansável empenho do Partido dos Trabalhadores em aprovar leis que permitam a prática do aborto em nosso país. Agradeço à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, que através de seu presidente, D. Geraldo Lyrio Rocha, durante entrevista coletiva,em 21 de outubro do corrente, declara: “ Tenho uma admiração muito grande por dom Luiz Gonzaga Bergonzini e os seus procedimentos estão dentro daquilo que a Igreja espera. Ele, dentro da sua competência de pastor, tem o direito e até o dever de, segundo sua consciência, orientar seus fiéis do modo que julga mais eficaz e mais conveniente. Ele está no exercício de seus direitos como bispo diocesano de Guarulhos e cada instância fala só para o âmbito de sua competência, tanto que ele não se dirigiu à nação brasileira. Este procedimento está absolutamente dentro da normalidade no modo como as coisas da Igreja se encaminham” . Dom Geraldo disse, ainda, que a posição da Igreja sobre o aborto “é inegociável” . Ele reafirmou a posição da Igrejasobre a defesa da vida. “ A Igreja é a favor da vida. Ela tem o respeito à vida desde o momento da fecundação até o seu término natural. A Igreja é veemente na questão do aborto como também o é sobre a eutanásia. Seja no início como em suas váriasetapas e no seu término natural, a vida é o maior dom de Deus.” , acentuou.
 
Agradeço aos milhões de cristãos e cidadãos anônimos que unem-se ao meu clamor pela vida dos pequeninos indefesos. Agradeço de todo coração às vozes solidárias e compreendo aqueles irmãos que não puderam permanecer comigo aos pés da cruz.
 
Uma Graça que não tem preço. “O Senhor fez em mim maravilhas” (Lucas 1, 49)
 
Caríssimos, imaginava eu que, aos 74 anos de idade, 51 anos de ordenação sacerdotal e prestes a pedir renúncia da função de dirigir a Diocese, (conforme determina a lei da Igreja que aos setenta e cinco anos de idade o bispo renuncie às suas funções), não fosse mais merecedor daquelas graças queo Senhor concede a poucos. Falo-vos do privilégio de sofrer pelo Evangelho: “Os apóstolos ficaram contentes por terem merecido sofrer insultos por causa do nome de Jesus”.
 
Que honra,meus irmãos, que honra! (Atos 5, 41) “ Esse é o meu mandamento” (João 15,12)
 
Reafirmo tudo o que vos falei desde julho próximo passado: “Não deis vosso voto a candidatos e partidos que sejam a favor da legalização e descriminalização do aborto. Sede fiéis ao Evangelho que diz:“ Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância (João, 10,10) Caríssimos diocesanos, tenho plena certeza de que nessa batalha a vitória já é do Evangelho da vida.
 
Daqui por diante, qualquer líder político, nos cargos executivos ou legislativos, seja no nível municipal, estadual ou federal, quando for tratar dessa matéria que tange a defesa ou a destruição da vida, dar-se-á conta de que agora há no Brasil um povo que tem uma opinião solidamente formada sobre o assunto; e que há umaIgreja, povo de Deus, que, unida a outras denominações religiosas continuará combatendo em defesa da vida , com o rugido do “Leão de Judá” (cfr. Apocalipse 5,5), impedindo que os valores humanos fundamentais sejam tratados com o descaso que até entãose fez. As eleições terminarão no próximo dia 31 de outubro; mas a nova consciência do povo brasileiro atravessará esse e os próximos governos.
 
 
O EVANGELHO DA VIDA JÁ É O GRANDE VENCEDOR.
 
Louvado Seja Nosso SenhorJesus Cristo.
Dom Luiz Gonzaga Bergonzini,
Bispo Diocesano de Guarulhos.
Dado e passado na Residência Episcopal, aos vinte um dias do mês de outubro do ano de dois mil e dez, 19º. de nosso episcopado, aos 450 anos da presença da Igreja na cidade de Guarulhos.